Potenciais
Econômicos
Piscicultura
A indústria da tilápia
Morada Nova de Minas é um dos polos mais importantes no mercado de peixes de corte e derivados, ocupando a 4ª posição no ranking nacional de produção de tilápia.
O município começou a atuar com piscicultura há aproximadamente 20 anos, a partir de iniciativas privadas, e hoje produz mais de 34 mil toneladas de peixe todos os anos. Desse total, 94% da produção é de tilápia, considerada a locomotiva da piscicultura brasileira.
Apesar de ser a principal atividade econômica a cidade, a piscicultura de Morada Nova de Minas enfrenta alguns desafios para o seu desenvolvimento, tanto para os grandes, quanto para os pequenos produtores ligados às duas cooperativas locais – Coopeixe e Colônia dos Pescadores Profissionais.
O principal entrave à produção é o fato de a piscicultura em Minas não ser licenciada: em geral, os produtores trabalham apenas com uma declaração oficial que permite uma pequena produção.
Quando a produção é ampliada, no entanto, acabam recebendo multas que podem chegar a mais de R$ 40 mil, dependendo do volume de água utilizado. Além disso, o processo de licenciamento é complexo e demorado, o que dificulta o desenvolvimento de infraestrutura para a atividade.
Por outro lado, a dificuldade em fortalecer institucionalmente os pescadores artesanais também se mostra um grande gargalo para que os pescadores recebam a devida atenção do Estado. Essa fragilidade contribui para que se diminua o incentivo no âmbito familiar para a continuidade através de gerações.
Apesar de possuir um forte significado econômico, cultural e ambiental no município, o desenvolvimento da piscicultura é desacompanhado de políticas públicas proporcionais à sua importância.
Agregando valor à cadeia da piscicultura
A piscicultura pode ser mais rentável para o produtor de Morada Nova de Minas. A partir do uso de rações alterativas, mais baratas, é possível favorecer a margem de lucro do piscicultor. A pele de tilápia também pode ter usos na moda e na medicina que podem agregar valor a uma parte do peixe muitas vezes descartado. Outra oportunidade está no aperfeiçoamento da transformação do peixe por meio de produtos beneficiados.
Reduzindo o custo da ração
A ração é um dos itens mais representativos para determinação do custo total de produção da piscicultura. Com os sucessivos aumentos dos alimentos convencionais utilizados para a fabricação de ração para peixes, subprodutos e coprodutos da agroindústria podem ser uma alternativa para diminuir o preço deste insumo.
No entanto, para que o alimento alternativo apresente potencial de utilização é necessário que apresente baixo custo, volume de produção, disponibilidade regional, e que não prejudique o desempenho do animal.
Nesse sentido, vários estudos têm sido realizados para encontrar ingredientes alternativos que possam atender às exigências dos peixes com a mesma qualidade que a farinha de peixe, e reduzir o custo da ração.
A farinha de vísceras de carne e osso, farinha de pena hidrolisada, os farelos de caroço de algodão, canela, coco, a levedura e o bagaço de malte, são exemplos proteicos que podem ser incluídos na formulação.
Pele de tilápia: usos na indústria da moda e na medicina
Por se tratar de uma iniciativa voltada ao aproveitamento do rejeito da indústria pesqueira, o reaproveitamento da pele da tilápia passou a chamar a atenção do mercado, principalmente aquele focado em produtos ecologicamente corretos.
As peças feitas com a pele do animal ajudam a preservar o meio ambiente e são tão resistentes quanto o couro bovino, podendo ser empregadas em produtos de alto valor agregado – como na indústria da moda, por exemplo -, despertando a curiosidade e o interesse de muitos empreendedores.
Além da utilização no mercado da moda, o couro de tilápia tem potencial também na medicina, especificamente para tratamento de queimaduras de pele de segundo e terceiro graus, por possuir maior quantidade de uma proteína chamada colágeno tipo 1, similar à pele humana, e um grau adequado de umidade que ajuda na cicatrização.
Potencial inexplorado pelos pequenos e médios produtores
No Brasil, mais de 80% das unidades de produção aquícola pertencem a pequenos e micro produtores, onde geralmente o capital é insuficiente para comprar insumos básicos, como ração e alevinos.
Muitos destes produtores desconhecem sua estrutura de custos e não sabem o que fazer para se tornarem mais eficientes. Com isso, seus produtos não são competitivos, nem mesmo nos mercados locais, e a sua rentabilidade é menor, tornando a atividade muito frágil, com a sustentabilidade comprometida.
Como agravante, muitas vezes a estrutura logística é ineficiente. Há escassez de mão de obra adequada, insumos e tecnologias apresentam elevado custo e não existem linhas de crédito disponíveis para o aquicultor.
Além do uso da pele, o desenvolvimento de novos produtos derivados pode agregar valor à cadeia da tilápia: o processamento da carne e a transformação em hambúrguer, patês, embutidos, filés empanados, entre outros, pode contribuir para o desenvolvimento do micro, pequeno ou médio produtor.
Assista: Mesa Redonda
Piscicultura na região de Morada Nova de Minas/MG: realidades e oportunidades
Live gravada em 21 de Maio de 2021


