Perguntas Frequentes
A existência do gás em Morada Nova de Minas é uma certeza comprovada cientifica e geologicamente. A quantificação dos volumes de reserva ainda depende da ampliação das pesquisas geológicas locais e da operação piloto de poços de produção. Os estudos exploratórios foram liderados nos anos 2010 por entidades públicas como a CPRM e CODEMIG, que focaram a macrorregião do Vale do São Francisco, em Minas Gerais, e por empresas privadas, com direitos petrolíferos na região, e que apontam as microrregiões do rio Indaiá e do rio Borrachudo como grandes reservas potenciais de gás natural. Evidências em superfície destes depósitos podem ser encontradas em pontos específicos onde o gás natural provoca exsudações (borbulhas) nas águas dos rios.
A ocorrência de gás natural na região é intrigante para muitos pesquisadores e empresas diante de missões exploratórias desde os anos 50. A ampliação das pesquisas tem como intuito a viabilização econômica da produção do gás na região, uma vez que o gás natural é tido como um recurso energético de transição para as novas energias mais limpas, pouco poluente e de alta eficiência.
Vários caminhos terão que ser percorridos para que se concretize a produção do gás natural em escala industrial na região. Questões geológicas, geoquímicas, hídricas, tecnológicas, ambientais, regulatórias, logísticas e burocráticas ainda precisam ser aprofundadas e refinadas para a consolidação do ambiente propício de produção de gás em Morada Nova de Minas. Neste contexto, inúmeros esforços estão sendo coordenados na região para materializar um ambiente saudável de produção, de forma a viabilizar a superação de todos os desafios.
O gás natural em Morada Nova de Minas é conhecido na literatura como gás não convencional ou “shale gas”. Isto significa que para extraí-lo é necessário a aplicação da técnica não convencional conhecida como fraturamento hidráulico ou fracking.
O fraturamento hidráulico é uma técnica para estimular formações rochosas em profundidade ricas em petróleo ou gás, onde se induz uma porosidade no local através da injeção de água pressurizada. Em suma, o fraturamento hidráulico passa pelas seguintes etapas:
- Perfuração de um poço de gás profundo vertical até alcançar as formações rochosas com gás natural.
- Dá-se início a uma série de furos horizontais dentro da formação rochosa para que se aumente o contato entre o poço e as rochas reservatórios de interesse.
- Uma vez perfurado, injeta-se uma grande quantidade de água misturada com uma série de componentes químico com alta pressão para que se frature as formações rochosas ricas em gás natural (daí o nome fraturamento hidráulico).
- Uma vez fraturado, torna-se possível escoar o gás outrora aprisionado dentro das estruturas rochosas para a superfície pelo mesmo poço onde se injetou as águas.
A produção de gás natural, assim como a implantação dos outros empreendimentos da cadeia produtiva do gás, tende a trazer maior desenvolvimento econômico para a região. Se bem conduzida, a exploração de gás natural poderá trazer mais empregos, renda e proporcionará um ambiente extremamente favorável para entrada de outras indústrias de variadas vertentes econômicas, que podem utilizar o gás como combustível.
A indústria do gás natural não convencional, se mal conduzida e monitorada/controlada de forma inadequada, pode causar impactos ambientais negativos consideráveis, devido principalmente ao uso do fraturamento hidráulico, e ao conflito associado entre o consumo elevado de água de processo e os demais segmentos de consumo local.
As águas superficiais e os recursos hídricos subterrâneos são o grande foco de preocupação, monitoramento e controle pelas empresas operadoras e órgãos ambientais estaduais, regionais e locais. As comunidades devem também ter acesso fácil e dinâmico a essas informações.
Quanto aos impactos sociais, pode-se levar em consideração o uso de grande áreas territoriais, ruído elevado, impacto sobre a biodiversidade e o aumento do fluxo de pessoas e veículos na cidade, além do aumento da demanda sobre serviços locais.
Deve-se esclarecer que todo e qualquer empreendimento traz consigo impactos negativos, que devem ser avaliados e negociados pelas autoridades, comunidades e stakeholders locais diante dos benefícios e as possibilidades de monitoramento, controle e alerta.
As manifestações de gás natural são tecnicamente conhecidas como “exsudações de gás natural”. A presença do gás natural pode ser identificada em locais específicos onde aparece uma série de borbulhas nos rios e lagos. Isto ocorre porque o gás natural formado em grandes profundidades vai, pouco a pouco, sendo liberado naturalmente das rochas (fraturamento natural ou espontâneo), migrando por entre os espaços vazios das rochas e solos até chegar à superfície. A manifestação do gás natural permite até, em ocasiões específicas, que a água local se torne inflamável devido a ocorrência do gás metano.
O Brasil tem várias outras bacias geológicas com potencial de produção de gás natural, tal como ocorre em Morada Nova de Minas. O Brasil é um país de dimensões continentais e apresenta uma série de reservas potenciais, com algumas melhor estudadas geologicamente e cientificamente. Muito se discute sobre a viabilidade de produção de gás não convencional nas reservas da bacia do Paraná, Amazonas, Recôncavo Baiano e todo o Vale do São Francisco, entre outras. A necessidade de maior conhecimento geológico e ambiental dos sistemas petrolíferos brasileiros é uma proposta reiterada pela Rede Gasbras nacional.
Ainda são necessários muitos estudos e pesquisas sobre a geologia e o perfil dos sistemas petrolíferos das reservas de gás natural no Brasil, para que se entenda de fato a viabilidade econômica de cada uma. Especificamente no caso das reservas não convencionais de gás natural como em Morada Nova de Minas, ainda é necessário aprimorar o entendimento das questões ambientais e regulatórias que garantam que o fraturamento hidráulico seja implementado de forma ambientalmente sustentável e socialmente harmônica.
A produção de gás não aconteceu. O primeiro estágio de investimentos na região estava associado à exploração (pesquisa) por meio de perfurações de poços profundos de pesquisa geológica de gás. As reservas de gás natural, existentes na região de Morada Nova de Minas sempre despertaram atenção e interesse de pesquisadores, empresas privadas e representantes do Poder Público.
A descoberta do gás em Morada Nova de Minas foi formalizada em 2010, e o Governo de Minas chegou a anunciar a ampliação dos investimentos de exploração, com instalação de maquinário de maior porte. No entanto, a movimentação foi suspensa em 2013, após decisão judicial que embargou a exploração desse tipo de gás em todo o Brasil, motivado pelas grandes polêmicas sobre os potencias riscos ambientais associados a técnica do faturamento hidráulico.
Com a desmobilização do aparato sem grandes explicações, sobraram as especulações e dúvidas sobre o assunto. Embora muitas pesquisas de iniciativas isoladas continuassem a ser feitas depois desse período, nenhum resultado concreto foi compartilhado de maneira sistematizada com o município, que segue sem conhecer melhor suas próprias riquezas.
Um sistema regulatório, de grande amplitude e negociado com todas as partes interessadas, é o primeiro passo para se garantir o desenvolvimento e a sustentabilidade socioambiental, territorial e econômica do empreendimento.
A negociação entre as partes pressupõe o nivelamento do conhecimento sobre o que é o gás não convencional, suas potencialidades, seus riscos. Isto pode ser feito por meio de palestras, reuniões, atividades educacionais, dentre outros mecanismos. É importante que toda a sociedade local esteja ciente sobre o recurso que detém, e que possa criar uma boa base de entendimento e formar uma opinião sobre o assunto.
Antes de mais nada, é fundamental que a comunidade se aproprie do conhecimento sobre o que é o gás natural de Morada Nova de Minas, conscientizando-se sobre seus riscos e seus benefícios. Entender e chegar num consenso se “queremos ou não queremos a indústria do gás em Morada Nova de Minas” é fundamental para que se continue o debate sobre a dinâmica do fomento, dos esforços de estímulo e da evolução dos investimentos locais, se esse for o desejo de todos.
Em seguida, cabe às autoridades públicas e aos investidores manter um contato ativo e transparente para com os representantes e lideranças locais e regionais para que o processo desenvolvimentista seja o menos abrupto possível. É indiscutível que a indústria causará mudanças significativas na região, por isso é importante que o estudo seja conduzido de forma accessível e as responsabilidades em termos de impactos socioambientais sejam delegadas e cumpridas durante todo o processo.
A exploração de gás em depósitos não convencionais já é realidade em vários países ao redor do mundo, mas mesmo assim ainda é motivo de polêmicas globais com a existência de movimentos internacionais pro-fracking e no-fracking.
Países como Estados Unidos, Argentina, Polônia, Canadá e China se mostram a favor da técnica mesmo existindo regiões internas que não compactuam com a prática; já países como França, Irlanda e Bulgária decidiram não dar continuidade a sistemas regulatórios favoráveis ao uso de fraturamento hidráulico na produção não convencional.
Os Estados Unidos são hoje o país referência na exploração de recursos não convencionais devido às suas grandes reservas de gás de folhelho e à cultura de fortalecimento do empreendedorismo em relação à regulação, que é reativa aos investimentos. O país mudou completamente seu cenário energético e econômico pelo boom do óleo e gás não convencional nos anos 2010, tornando-se o maior propagador das tecnologias e da viabilidade do fracking no mundo.
A Argentina também tem se tornado referência nesse setor a partir das reservas na Bacia de Neuquén, visto que hoje o gás natural é o principal insumo energético disponível no país. A Argentina é o segundo país em volume de reservas de gás de folhelho, ficando atrás apenas da China.
Muitos países europeus reconhecem a importância do gás não convencional na economia e na política energética, e por isso observam com bons olhos os recentes avanços tecnológicos da técnica do fracking, mas, ao mesmo tempo, enfatizam a necessidade de que possíveis impactos ao meio ambiente, à saúde pública e à qualidade de vida precisam ser examinados com mais detalhes.
Para estar por dentro de todo esse processo, a comunidade pode acessar as mídias digitais desenvolvidas pelo projeto GASBRAS – MG, como o site www.muitasmoradas.com.br e o portal técnico-científico www.gasbrasmg.com.br, este último com inúmeros conteúdos técnicos sobre as diversas vertentes de todos as aspectos por trás desse modelo de exploração não convencional.
A Gasbras é uma rede de Pesquisa e Desenvolvimento de gás não convencional no Brasil. Trata-se de uma rede temática nacional de pesquisa constituída por várias instituições federais, estaduais e não governamentais de todo país, amparado financeiramente pela Fundação de Estudos e Projetos (FINEP). O objetivo central do projeto consistiu em estudar a melhor forma para o desenvolvimento da indústria do gás não convencional nas bacias sedimentares do Brasil.
Dentre os coexecutores que realizaram a pesquisa no contexto da Bacia do São Francisco em Minas Gerais, formou-se a Equipe GASBRAS seção MG com parceria entre a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear (CDTN), a Associação Instituto Internacional de Ecologia e Gerenciamento Ambiental (AIIEGA) e a Universidade Federal de Ouro preto (UFOP). Esta equipe tem estudado as possibilidades de produção do gás sob os aspectos ambientais, sociais, tecnológicos, logísticos e regulatórios na Bacia do São Francisco.
Além da UFMG, o projeto de pesquisa conta com a participação de pesquisadores de mais 5 instituição de ensino superior do Brasil: Universidade Federal de São Paulo (USP), Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Universidade Federal da Bahia (UFBA), PUC do Rio Grande do Sul (PUCRS), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
O estudo sobre os sistemas petrolíferos não convencionais deve persistir ao longo dos próximos anos, pois sempre há algo novo a se pesquisar e estudar, e como no Brasil ainda não existe nenhuma operação industrial ou piloto não convencional de gás natural, é importante que estes modelos de pesquisas continuem para levar conhecimento às regiões com potencial de geração de gás.
A expectativa de novos passos em prol da viabilização do gás na região são:
- Planejamento e efetivação de posicionamentos mais efetivos das lideranças governamentais do estado e da região;
- Engajamento dos setores privados;
- Ampliação das pesquisas geológicas e geoquímicas;
- Desenvolvimento de sistemas regulatórios que contemplem a região de forma específica;
- Investimento em operações piloto de produção de gás apoiados pelos governos.
Trazer de forma simples para toda a comunidade informações sobre o gás natural, e seus impactos e benefícios para a região de Morada Nova de Minas. Um dos incômodos que acompanhou a Rede Gasbras-MG durante todo o projeto de pesquisa foi a constatação de que mesmo com tantos estudos feitos ao longo de décadas, pouco ou quase nada do conhecimento adquirido foi compartilhado com a sociedade local.
Por isso, a Rede Gsbras-MG quis fazer diferente. Tão logo foram sistematizados os resultados do projeto de pesquisa, decidiu-se criar um site voltado especialmente aos moradores da cidade, que apresenta informações não só sobre o gás natural, mas também sobre as diversas possibilidades de desenvolvimento econômico e sustentável da região.
A proposta foi prontamente abraçada pela Prefeitura Municipal de Morada Nova de Minas, que se tornou co-realizadora da campanha “As Muitas Moradas”, cujo papel é difundir estes conhecimentos para toda a região.


