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Como pensar cidades

Por Débora Noronha

Diante dos grandes transtornos ambientais causados pelo aquecimento global, é fundamental promover o crescimento das cidades de uma maneira mais harmônica com a natureza. Precisamos buscar soluções para os problemas socio-ambientais oriundos do modelo atual e garantir um desenvolvimento próspero e contínuo da sociedade, em outras palavras, um desenvolvimento sustentável. Para alcançar a sustentabilidade no desenvolvimento urbano é necessário incorporar valores sociais e ambientais antes esquecidos, visando minimizar os impactos gerados nestas duas esferas. Em termos práticos, isso implica na criação de estratégias e ações que fomentem um modelo de cidades compactas, complexas e coesas, além de proporcionar a habitabilidade do espaço público, ou seja, tornar habitável e agradável os espaços públicos. A cidade compacta apresenta o mesmo potencial que o modelo disperso atual, porém, com um menor consumo energético e de espaço. Nela, os sistemas urbanos, como transporte coletivo, coleta de lixo, distribuição de água e de serviços, se tornam mais eficientes já que as distâncias para o seu funcionamento são reduzidas. Ganha-se tempo e se economiza energia. Quanto mais eficiente um sistema urbano, maior é a sua frequência e repetições, proporcionando maior qualidade do serviço à população. Além disso, a independência dos combustíveis fósseis e a redução do consumo energético são um dos principais desafios da atualidade. Já a complexidade de uma cidade se caracteriza pela variedade de serviços, espaços e usos, ou seja, pela diversidade de sua rede urbana. Quanto mais diversa for a rede urbana, menos ela sofrerá com variações ou rupturas dos sistemas urbanos (transportes coletivos, redes de água e de esgosto, coleta seletiva, et.) pois a diversidade permite encontrar novos caminhos e soluções diante de situações inesperadas. Como exemplo, o transporte coletivo deve garantir a diversidade de mobilidade como bicicletas, ônibus, metrôs e trens, por caminhos alternativos, para que sempre uma possibilidade de transporte supra a ruptura ocasional ou insuficiência da outra. A coesão de uma cidade significa fortalecer as relações sociais internas de trabalho, serviços e usos. Quanto maior for esta inteiração social, ou seja, a troca de serviços, bens e usos entre empresas, pessoas, prefeituras e sociedade, mais integrada será a rede urbana. Assim, uma cidade coesa é aquela que apresenta uma grande conectividade entre todos os tipos de serviços, trabalhos e usos existentes em sua infra-estrutura urbana. Estas conexões estimulam o desenvolvimento social e econômico das cidades, ao mesmo tempo que se tornam mais fortes e capazes de competir com o mercado externo. Por fim, as cidades devem proporcionar habitabilidade dos seus espaços públicos, para permitir a estância e permanência humana em áreas públicas, promovendo e fortalecendo as relações sociais. As cidades condicionam a qualidade de vida de seus habitantes, portanto é fundamental desenvolver espaços habitáveis e agradáveis que favoreçam o bem estar coletivo e a interação social. Todos estes conceitos são diretrizes fundamentais para a elaboração de ações e estratégias que visam o desenvolvimento urbano sustentável. São diretrizes norteadoras para o novo modelo de cidades. Atualmente vivemos em espaços urbanos caóticos e ineficientes, responsáveis direta e indiretamente pela grande devastação ambiental. É preciso mudar e só temos um caminho a seguir, rumo à sustentabilidade.


Débora Noronha é Formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Minas Gerais. Mestrado em Sustentabilidade pela Universidad Politécnica da Catalunya (Barcelona), especialista em gestão energética nas edificações e em eco construções. Atúa nas áreas de Planejamento e Gestão, Arquitetura e Urbanismo com enfoque na Sustentabilidade.

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