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Cobertura da auditoria realizada por experts da Global Geoparks Network
em menos de uma semana, auditores percorreram dezenas de locais que testemunham a importância e diversidade do Quadrilátero Ferrífero
Entre os dias 28 de agosto e 02 de setembro, os especialistas da Unesco Guy Martini e Rosaria Modica percorreram o Quadrilátero Ferrífero conhecendo reservas ecológicas, parques ambientais, museus e sítios geológicos ou ligados à história da mineração em Minas Gerais. Em comum, esses pontos são testemunhas da evolução da Terra, de períodos importantes do estado, como o Ciclo do Ouro, preservam e difundem conhecimento.
Além disso, todos eles estão inseridos no Geopark Quadrilátero. E foi para conhecer esse patrimônio que se estende por mais de 6.000 km2 e para avaliar a articulação do programa que os experts do órgão internacional estiveram aqui. No momento, a iniciativa é aspirante à Rede Mundial de Geoparks da Unesco. Durante todo o roteiro, o francês Martini e a italiana Modica foram acompanhados por membros do comitê gestor do Geopark Quadrilátero, especialistas e jornalistas.
No primeiro dia, pela manhã os auditores visitaram o Parque das Mangabeiras – um dos mais de 30 sítios do programa. No local, conheceram o painel do Geopark (que traz informações sobre o patrimônio geológico da Serra do Curral) e assistiram a um vídeo sobre as atividades promovidas pelo Geopark. Na área central do parque, eles conferiram uma exposição de fotos da oficina feita com crianças no projeto Férias no Parque, em julho deste ano.
Pela tarde, eles seguiram para o Instituto Inhotim, em Brumadinho. No jardim ecológico e museu de artes a céu aberto, conheceram obras de importantes artistas contemporâneos e toda a estrutura que tem feito do local uma referência mundial em inovação. Em reunião, Roseni Sena, diretora de inclusão e cidadania, ressaltou o compromisso com o Geopark e apresentou os projetos de educação ambiental empreendidos.
No dia 29, no Parque Estadual da Serra do Rola Moça, o gerente Marcus Freitas apresentou a segunda maior reserva ambiental do Brasil, explicou a forma de gestão com os demais parques estaduais, como os corredores culturais, e apontou as expectativas ao integrar o Geopark Quadrilátero. “Esperamos trazer mais visibilidade internacional para o Rola Moça, ganhar credibilidade para atrair fundos para a preservação e combate a incêndios e trazer outros tipos de conhecimento para os turistas”, afirmou.
Dali, a comitiva seguiu para Congonhas do Campo. Na Fundação CNS, mineradora que atua na região, assistiram à apresentação musical de jovens atendidos pelo programa e se reuniram com diretores e representantes de outros órgãos, como a Embrapa. Na ocasião, o diretor de mineração da CSN, Daniel Santos, ressaltou o interesse de desenvolver cursos de formação em parceria com o Geopark. Os representantes da Unesco também conheceram a mina da empresa ativa há mais de 80 anos na região e a terceira maior do país em área. Foi articulada a proposta de abertura do local para visitação pública mensal em dias e horários específicos, o que foi bem recebido pela empresa. A iniciativa seria pioneira no país.
Ainda no mesmo dia, os especialistas conheceram a Biblioteca de Saramenha, na região de Ouro Preto, e seguiram para a cidade histórica. Na terça-feira, dia 30 de agosto, foi realizada uma reunião com a reitoria da Universidade Federal de Ouro Preto. Professores e diretores expuseram projetos de articulação com o Geopark e apresentaram o Museu da Ciência e Técnica, que em seis pavilhões trazem enorme acervo e potencial educativo, com visita superior a 50 mil turistas por ano.
Pela tarde, a comitiva seguiu para o Parque da Serra do Itacolomi. O cartão postal de Ouro Preto, que possui um dos seis painéis instalados pelo Geopark, encantou os auditores não só pela importância ambiental, mas também pelo comprometimento e conhecimento de seus monitores e gestores, como Juarez Basílio, pela proposta bem executada da Casa do Visitante e do Museu do Chá e, sobretudo, pela ousadia da Casa do Bandeirista, com arquitetura arrojada preservando as ruínas da edificação com placas de vidro.
No fim da tarde, Guy Martini e Rosaria Modica visitaram o campus da UFOP e a oficina de Cantaria, coordenada pelo professor Carlos Alberto Pereira. As peças que tem enorme importância para o barroco mineiro, presentes em igrejas e pontes, compõem o Circuito de Cantaria Mestre Juca do Mapa Turístico do Geopark Quadrilátero. Uma homenagem ao grande canteiro da cidade histórica, pai de Pereira.
Em reunião na prefeitura de Ouro Preto, o prefeito Ângelo Oswaldo e o secretário de cultura Chiquinho de Assis ressaltaram a importância de o município integrar o programa. “É um grande satisfação para Ouro Preto fazer parte do Geopark, mas também uma grande responsabilidade, frente o potencial e os projetos que se abrem com a iniciativa”, conclui Oswaldo.
No dia 31 de agosto, os especialistas conheceram outro sítio que integra o Geopark Quadrilátero. A Reserva Ecológica do Tripuí é conhecida por abrigar um animal raro, o Peripatus Acacioi. Martini e Modica tiveram a oportunidade de ver de perto o chamado “fóssil vivo”, que resiste há mais de 500 milhões de anos com a mesma estrutura biológica.
Pela tarde, foi a vez de conhecer a Reserva Particular Permanente do Caraça. Aline de Abreu, coordenadora de meio ambiente, fez uma apresentação sobre a área, mostrou detalhes do treinamento para funcionários e monitores sobre o Geopark e levou-os ao museu do Caraça. Pela tarde, a comitiva seguiu para o Sítio Arqueológico de Pedra Pintada, em Cocais, distrito do município de Barão de Cocais. Acompanhados pelo arqueólogo Frederico Gonçalves, eles conheceram pinturas rupestres estimadas em mais de 6.000 anos. Uma das proprietárias, cuja família tem a posse do local há mais de 300 anos, mostrou-se honrada com a visita de especialistas da Unesco e disse que tem grandes expectativas de aumentar a visitação e a estrutura do sítio arqueológico com o Geopark Quadrilátero.
No dia 01 de setembro, os auditores foram ao lançamento oficial do programa Geopark Quadrilátero, realizado na Escola Guignard, no bairro de Mangabeiras, em Belo Horizonte. O evento contou com a presença de representantes de instituições, empresas, gestores de sítios e da sociedade civil. Depois da apresentação de um vídeo de mobilizações, treinamentos e ações do Geopark, jovens do projeto Casa Menino do Parque (que já receberam oficinas do programa), fizeram uma apresentação artística. Na ocasião, também foram lançados o Mapa Turístico e o Totem Interativo do Geopark Quadrilátero.
Os experts da Global Geoparks Network seguiram para a Europa no dia 02 de setembro e enviaram carta de agradecimento ao Geopark Quadrilátero. “De volta à Europa, queremos agradecê-los pela qualidade da hospitalidade e excelente organização da nossa missão em poucos dias, o que nos deu uma ótima visão de uma região complexa e interessante que certamente é Quadrilatero Ferrífero.”

