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Geopark lança totem itinerante sobre o Quadrilátero Ferrífero
dispositivo transmite conhecimento sobre geologia e história da mineração de forma interativa com grande potencial educativo e turístico
O lançamento do Totem Geopark Quadrilátero está vinculado a uma série de ações que antecedem a auditoria de experts da Unesco. O equipamento com tela touchscreen trabalha em duas frentes principais: a primeira, a evolução do conhecimento geológico que resultou na mineração a partir do século XVIII; e segunda, a importância do patromônio e dos sítios geológicos do Quadrilátero Ferrífero, que possibilitaram a criação de um Geopark que, se receber a chancela da Unesco, integrará uma rede mundial desse tipo de território.

O totem ficará instalado inicialmente no Centro Referência em Patrimônio Geológico (CRPG), no Museu de História Natural da UFMG. Posteriormente, por sua característica itinerante, deve percorrer diversos pontos do Quadrilátero Ferrífero, levando conhecimento a milhares de pessoas.
A seguir, confira a entrevista com as professoras Maria Márcia Magela Machado e Úrsula de Azevedo Ruchkys, do Instituto de Geociências da UFMG, responsáveis pelo conteúdo do totem. Além de integrarem o Comitê Científico do Geopark Quadrilátero, Machado e Ruchkys coordenam o Centro de Referência em Patrimônio Geológico do Museu de História Natural e Jardim Botânico MHNJB/UFMG.
- O que é o totem?
O totem é uma solução de mídia que permite o acesso a informações combinando arte, tecnologia e interatividade. No nosso caso, a estrutura é basicamente uma coluna com uma tela touchscreen. A intenção é utilizar essa nova tecnologia como estratégia não só para atrair o interesse do público como também potencializar a comunicação da informação. Como a informação é o agente que permite a aquisição de conhecimento, a forma de comunicá-la é muito importante.
- Qual o conteúdo?
O conteúdo é amplamente geológico e histórico. Pode-se dizer que é uma viagem no tempo em duas escalas.
A primeira parte trata da evolução do conhecimento geológico do Quadrilátero Ferrífero. Para rastrear a origem do processo, retrocedeu-se até o Brasil colônia, mais especificamente até as “entradas” no território mineiro em busca de pedras e metais preciosos, para contextualizar a descoberta do ouro no final do século XVII e o declínio progressivo da extração nas últimas décadas do século XVIII que motivou as primeiras pesquisas científicas sobre a constituição dos terrenos do Quadrilátero Ferrífero tendo como objetivo a descoberta de novos recursos minerais. A partir daí a história da evolução do conhecimento geológico sobre o Quadrilátero Ferrífero é apresentada a partir dos principais personagens que a construiram e dos acontecimentos que motivaram as pesquisas. Por exemplo, constitui um capítulo dessa história as observações geológicas dos naturalistas estrangeiros que estiveram no Quadrilátero Ferrífero durante o século XIX, viabilizadas pela transferência da família real portuguesa para o Brasil e a decisão de abertura dos portos às nações amigas. Obviamente o período descrito tem dimensão temporal humana.
A tônica da segunda parte é o Quadrilátero Ferrífero enquanto importante terreno pré-cambriano com significativo patrimônio geológico constituído por numerosos afloramentos de rochas de excepcional interesse científico e pedagógico, sítios geológicos ou geossítios, que permitem a compreensão dos processos de evolução da história geológica da Terra. É apresentado o Programa Geoparks da Unesco, conceitos e benefícios, e a memória da história evolutiva da região a partir da descrição dos registros preservados nos diferentes conjuntos de rocha do Quadrilátero Ferrífero. Logo, a escala é a do tempo geológico.
- Qual o objetivo educativo/turístico dele?
Ao disponibilizar informações sobre a história, geologia, geodiversidade e sobre o patrimônio geológico do QF, em linguagem acessível e de forma interativa, espera-se promover o conhecimento da ciência geologia e sensibilizar a comunidade para a importância científica, didática, paisagística/estética, sócio-cultural do Quadrilátero Ferrífero, além da econômica já amplamente conhecida.
A questão do geoturismo está estreitamente ligada ao reconhecimento da importância do valor patrimonial do QF, o mapa turístico do Geopark QF inclusive integra o conteúdo do totem.
- Por quem foi desenvolvido?
A pesquisa para composição do conteúdo, seleção de imagens e o texto final foram desenvolvidos pelas professoras Maria Márcia Magela Machado e Úrsula de Azevedo Ruchkys do Instituto de Geociências da UFMG que, além de integrarem o Comitê Científico do Geopark QF, coordenam o Centro de Referência em Patrimônio Geológico do Museu de História Natural e Jardim Botânico MHNJB/UFMG. Já a concepção visual e o design, ou seja, a organização estética do conteúdo que desempenha papel fundamental no processo de apreensão da informação disponibilizada, é de autoria de Najla Mouchrek.
- Qual o planejamento para a utilização dele?
O totem ficará instalado no Centro Referência em Patrimônio Geológico - CRPG, que é um centro especializado do Museu de História Natural da UFMG. O propósito do totem “casa bem” com o perfil do MHNJB, direcionado para a investigação científica e atividades de extensão ambiental e cultural, constituindo-se um espaço onde a ciência é exibida e disseminada para o público leigo, e especificamente, dentro dos objetivos do CRPG de promover a difusão da geologia e da geodiversidade permitindo a sensibilização do público para a geoconservação.
O totem poderá funcionar de forma itinerante também, uma vez que é um suporte multimídia que pode ser transportado e instalado sem grandes dificuldades.

