No Brasil
Área de Investigação e Área Piloto
Bacia do São Francisco
A bacia sedimentar escolhida para estudo foi a do São Francisco (SF), uma das maiores províncias sedimentares do país, situada sobre o cráton do São Francisco (entidade composta principalmente por rochas arqueanas e paleoproterozóicas) na região centro-sudeste do Brasil, com uma área de aproximadamente 350.000 Km2 , que abrange os estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás, e Tocantins (REIS, 2018).
A Bacia do SF contém rochas dominantemente pré-cambrianas (mais velhas que 540 milhões de anos), cuja evolução geológica culminou no desenvolvimento de um dos sistemas petrolíferos mais antigos conhecidos (REIS, 2021). Portanto, devido a sua posição geográfica privilegiada (parte central do Brasil), seus afloramentos abundantes e riqueza mineral, a bacia tem sido estudada intensamente por diversos autores desde o início do século passado.
Em sequência, definiu-se uma área de investigação representativa e uma Área Piloto teste dentro dela para elaboração dos baselines (traduzido como linha de base). Este trata-se de um conceito reconhecido internacionalmente como um trabalho de pesquisa voltado ao levantamento e monitoramento de aspectos ambientais principalmente (águas, gases, sismicidade induzida, dentre outros) antes, durante e depois das eventuais exploração e produção pela indústria de hidrocarbonetos não convencionais em uma determinada região. Para tanto, foram definidas as seguintes premissas para escolha da área de investigação dentro da bacia do SF:
- (i) que a delimitação da área correspondesse aos limites de uma das sub-bacias sanfranciscana;
- (ii) que o local tivesse representatividade em escala regional;
- (iii) que houvesse uma área com evidências da presença do gás (exsudações) que justificasse uma provável implantação da indústria do gás não convencional;
- (iv) que fosse uma área com dados regionais disponíveis, em especial quanto a recursos hídricos, ao gás e os aspectos geológicos;
- (v) que fosse um local com viabilidade para realizar um inventário hidrológico significativo adicional.
Atendendo os requisitos supracitados, definiu-se como área de investigação as bacias hidrográficas do rio Indaiá e Borrachudo (Figura 1). Diante da extensão da área (4.487 km2), o tempo reduzido da pesquisa, os recursos financeiros disponíveis e a operacionalidade do monitoramento, foi necessário restringir e detalhar o estudo em uma área piloto dentro da área de investigação. A escolha feita da Área Piloto (444km²), ao norte da bacia do Rio Indaiá, se justifica pelos casos de exsudações de gases (em rio e em solo), pela menor densidade demográfica, além do seu menor grau de aproveitamento do uso e ocupação do solo.
FIGURA 1 - Bacia do rio São Francisco e a localização da área de investigação como reserva estratégica de gás não convencional.
Na área piloto foi realizado os monitoramentos completos, associados aos levantamentos bibliográficos da biodiversidade, recursos hídricos, gases, sedimentos e aspectos socioeconômico. O estudo e considerações sobre este último tema citado, associado a uma provável retomada e implantação da indústria de gás não convencional na região, considerou dois municípios pilotos e que integram a área piloto: Morada Nova de Minas (zona urbana e rural) e Biquinhas (zona rural principalmente). A partir dos estudos testes na área piloto a pesquisa ampliou ao final, através de 3 campanhas de campo, uma rede de monitoramento para toda área de investigação, contemplados através de 24 pontos de estacoes para o monitoramento da qualidade das águas superficiais e subterrâneas, além de sedimentos em rios, córregos e nascente.




