- No Brasil -
Área de Investigação e Área Piloto
Aspectos Fisiográficos
Introdução
Hidrografia
A área de investigação definida pelo projeto GASBRAS seção-MG abrange a bacia do rio Indaiá somado a bacia do rio Borrachudo onde encontra-se os rios homônimos que fazem parte dos afluentes da margem esquerda do rio São Francisco. Ambos desaguam no reservatório da Usina Hidrelétrica de Três Marias (Figura 01), passando por alguns municípios como: Córrego Danta, Santa Rosa da Serra, Estrela do Indaiá, São Gotardo, Serra da Saudade, Quartel Geral, Tiros, Cedro do Abaeté, Paineiras, São Gonçalo do Abaeté, Biquinhas e Morada Nova de Minas.
Figura 01 - Mapa Hidrográfico
Do trabalho realizado de levantamento e mapeamento de pontos hidrológicos para área de investigação, os mesmos ficaram cadastrados como estações de qualidades de água, pluviométricas, fluviométricos, nascentes, poços tubulares e poço escavado. Ressalta-se que os pontos de qualidade de águas (córregos ou rios) que estavam relatados em trabalhos anteriores como de ocorrência natural de exsudações de gases na água foram nomeados/cadastrados como estações de exsudações.
Pedologia
Os tipos de solo preexistente na área de investigação de acordo com o mapa da figura 02 são compostos por Cambissolo, Latossolo, Podzólico e Solo Litólico.
Figura 02 - Mapa Pedológico
De acordo com a EMBRAPA (1999), as definições desses tipos de solos podem ser:
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Cambissolo - compreendem solos com desenvolvimento incipiente, caracterizados pela pouca diferenciação dos horizontes nas características morfológicas, principalmente pela cor e estrutura. Solos constituídos por material mineral com horizonte B incipiente subjacente a qualquer tipo de horizonte superficial ou horizonte A chernozêmico, quando o B incipiente apresentar argila de atividade alta e saturação por bases alta;
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Latossolo - são altamente intemperizados e sem incremento de argila em profundidade. As cores variam de brunadas, avermelhadas ou amareladas, sendo as últimas de maior expressão. A textura varia de média a muito argilosa e, nos mais oxídicos, pode ocorrer estrutura granular de tamanho muito pequena a pequena e de grau de desenvolvimento que varia de forte a muito forte. Os minerais predominantes na fração argila são caulinita e óxidos de ferro e alumínio. São solos constituídos por material mineral, apresentando horizonte B latossólico precedido de qualquer tipo de horizonte A dentro de 200 cm da superfície do solo ou dentro de 300 cm se o horizonte A apresenta mais que 150 cm de espessura;
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Podzólico - são solos minerais, não-hidromórficos (sem a presença de água), com horizonte A ou E (horizonte de perda de argila, ferro ou matéria orgânica, de coloração clara) seguido de horizonte B textural, com nítida diferença entre os horizontes. Apresentam horizonte B de cor avermelhada até amarelada e teores de óxidos de ferro inferiores a 15%. Podem ser eutróficos, distróficos ou álicos. Têm profundidade variadas e ampla variabilidade de classes texturais;
- Solo Litólico - são muito pouco desenvolvidos, rasos, não hidromórficos, apresentando horizonte A diretamente sobre a rocha ou horizonte C de pequena espessura. São normalmente pedregosos e/ou rochosos, moderadamente a excessivamente drenados com horizonte A pouco espesso, cascalhento, de textura predominantemente média, podendo também ocorrer solos de textura arenosa, siltosa ou argilosa. Podem ser distróficos ou eutróficos, ocorrendo geralmente em áreas de relevo suave ondulado a montanhoso. Apresentam poucas alternativas de uso por se tratar de solos rasos ou muito rasos e usualmente rochosos e pedregosos. Situa-se em áreas acidentadas de serras e encostas íngremes, normalmente com problemas de erosão laminar e em sulcos severa ou muito severa.
Geologia
A Bacia do São Francisco (SF) é uma bacia sedimentar intracratônica e que corresponde a um típico depocentro poli-histórico com área aproximadamente de 350.000 km2 (Reis 2018). O preenchimento sedimentar da bacia SF ocorre com pelo menos dois contextos bacinais bem distintos (Fragoso et al. 2011). A primeira dela de idade neoproterozoica e de ambiente marinha é representada pelo Grupo Bambuí, unidade geológica mais expressiva e exposta ao longo da bacia e que contém litotipos pelito-carbonáticos, areniticos finos e depósitos rudíticos subordinados do próprio Grupo Bambuí (Dardenne 1978, 1981). Uma segunda etapa de sedimentação de idade fanerozoica ocorreu na Bacia do SF e estaria relacionado a um estiramento crustal na qual abriu o atlântico sul e que originou uma bacia receptora onde se depositaram unidades de depósitos glaciogênicos paleozoicos do Grupo Santa Fé e rochas cretáceas correspondente a sedimentação continental, sendo representado pelo Grupo Areado (conglomerados, arenitos, argilitos) e o Grupo Urucuia (basicamente por arenitos). Durante esta etapa ocorreu também grande atividade magmática no continente com rochas vulcânicas, ultramáfica alcalinas e rochas epiclasticas, originadas a partir da erosão dos edifícios vulcânicos. A este conjunto de litotipos de origem vulcânica e/ou vulcanosedimentar denomina-se Grupo Mata da Corda. Quanto as coberturas mais recentes presentes no contexto da Bacia do SF e de caráter eluvio-coluvionar ou aluvionar denomina-se Formação Chapadão (Campos e Dardene 1997 a b).
Na área de investigação afloram litotipos de grande parte destas unidades retratadas no parágrafo anterior, conforme observa-se na figura 03.
Figura 03 - Mapa Litológico
O Grupo Bambuí é a unidade mais expressiva, sendo ele subdividido em unidades menores e definidas como formações. Da base para o topo, estratificamente, o Grupo Bambuí pode subdividir em pelo menos cinco formações, a saber:
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Sete Lagoas – representando o início da sedimentação marinha é geralmente representadas por litotipos carbonáticos e níveis pelíticos e margosos. Localmente a formação aflora na parte norte e é composta por calcário químico (lama carbonática) cinza escuro frequentemente com níveis de marga de coloração bege e, por vezes, com calcários aloquímicos cinza claros (Costa et al. 2011). As relações de contato, alinhadas à fotointerpretação e análises estruturais, indicam que esta unidade, dentro da área investigada, representa uma lasca tectônica empurrada em meio a outros litotipos do Grupo Bambuí (Costa et al. 2011).
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Serra de Santa Helena – ainda em uma sedimentação marinha é constituída predominantemente por litotipos pelíticos e/ou com arenitos finos e níveis carbonáticos. Localmente e exclusivamente na parte norte da área investigada é caracterizada por sequências pelíticas compostas por intercalações de siltitos e argilitos que afloram na Zona de Cisalhamento de Traçadal (Costa et al. 2011). Estas intercalações pelíticas encontram-se intemperizadas e friáveis.
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Lagoa do Jacaré – é representada geralmente por litotipos carbonáticos e níveis pelíticos formados em ambiente marinho. Localmente caracteriza-se por uma sucessão de carbonatos acinzentados com alguma contribuição de frações margosas e terrígenas (Reis 2011). Estes litotipos afloram segundo corpos orientados aproximadamente N-S, posicionados por falhamento de empurrão sobre os sedimentos da Formação Serra da Saudade.
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Serra da Saudade – constituído por rochas predominantemente pelíticas com níveis de rochas carbonáticas que representa o início do termino do ambiente marinho. Localmente, ao sul da área, a unidade é englobada por siltitos e argilitos rosados a acinzentados, associados com siltitos verdes, denominados na literatura como verdetes (Branco & Costa 1961 apud Dias et al. 2011). Quanto a parte central e norte da área de investigação a unidade é predominantemente constituída por siltito e argilito, sendo localmente intercalados com frações margosas e calcareníticas. A unidade assenta-se concordantemente sobre os carbonatos e pelitos da Formação Lagoa do Jacaré com variação gradativa para os depósitos sobrejacentes da Formação Três Marias.
- Três Marias – compreende o término do ambiente marinho e constituído por litotipos siliciclásticos como arenitos e arcóseo formados por sedimentos depositados em ambiente de transição, marinho-continente. Localmente é composta por arenito micáceo, arenito arcoseano, arcóseo e argilito. As rochas exibem cores variando entre tons avermelhados, passando a esverdeados e arroxeados quando mais frescas. A granulometria varia entre areia muito fina e areia grossa, com grãos subangulosos a angulosos, alternando entre baixa e alta esfericidade (Reis 2011).
Ao longo de cotas elevadas dentro da área de investigação encontram-se os litotipos do Grupo Areado que refere-se ao cretáceo inferior e do Grupo Mata da Corda representando o cretáceo superior, nesta ordem. Entre os três grupos já citados os contatos são discordantes geralmente, sendo que entre o Areado e o Mata da Corda normalmente é do tipo erosivo e/ou angular, ou seja, houve um longo período de erosão entre o cretáceo inferior e superior até culminar na sedimentação do Grupo Mata da Corda. Já entre o Grupo Bambuí e os litotipos das unidades cretácicas a diferença de tempo define-se uma discordância principalmente temporal e erosiva dos estratos litológicos.
O Grupo Areado trata-se de uma unidade de sedimentação ocorrida em continente de idade cretácicas em ambiente de leques aluviais, por vezes fluviais, eólicos e/ou lacustres. Os sedimentos uma vez depositados originaram por processo diagenéticos, rochas como conglomerados, arenitos e argilitos. Localmente o Grupo Areado ao sul é representado por arenitos de granulometria fina a média, grossos ou feldspáticos e/ou com grânulos e seixos de quartzo e arenito, de colorações variáveis (Dias et al. 2011); na parte central a norte da área de investigação é composta por arenitos vermelhos, bem selecionados, com grãos arredondados (Reis 2011), arenitos líticos feldspáticos avermelhados e arenitos silicificados (Costa et al. 2011).
O Grupo Mata da Corda é caracterizado por rochas vulcânicas e sedimentares epiclasticas (formadas pela acumulação natural de basicamente fragmentos de rochas preexistentes) e piroclásticas ou vulcanoclásticas (formado por material vulcânico de explosões, seguidas de deposição). Os litotipos desta unidade geralmente afloram preferencialmente em encostas e topos de chapadas. Localmente, na área de investigação, o grupo é composto ao sul por rochas vulcânicas alcalinas efusivas e piroclásticas, plutônicas alcalinas e sedimentares epiclásticas. Em geral são argilitos, arenitos líticos e conglomerados (Dias et al. 2011). Na parte central e norte da área de investigação o Grupo Mata da Corda é representado por litotipos vulcanoclásticos e epiclásticos. De uma maneira geral o Grupo Mata da Corda assenta-se sobre as unidades do Grupo Areado através de uma discordância angular e erosiva (Reis 2011).
Há ainda representados no figura 03 as coberturas e depósitos de idade neógeno-quartenária, resumidos neste trabalho por coberturas detrito-lateriticas e depósitos aluvionares.
As coberturas detrito-lateriticas são representados por depósitos residuais argilo-arenosos com presença de lateritas/cangas devido teores de oxido de ferro. Localmente na parte ao sul repousa preferencialmente sobre rochas do Grupo Mata da Corda. Incluem-se a este tipo de cobertura as areias, cascalhos angulosos e material síltico-argiloso. Estas lateritas se tratam de uma couraça laterítica ferruginosa que por vezes originam em solos arenosos de coloração vermelho intenso por alteração. Na parte central e norte constituem depósitos residuais argilo-arenosos vermelhos. Por se tratarem de alterações de rochas vulcânicas alcalinas, correspondem ao principal substrato para a atividade agrícola na região (Reis 2011)
Já os depósitos aluvionares caracterizam por sedimentos fluviais. Localmente são constituídos por sedimentos fluviais geralmente arenosos e com eventuais termos lamosos e rudíticos. Estes restringem na parte central onde se distribuem irregularmente nas planícies aluviais dos principais eixos de drenagem.
Declividade
De acordo o mapa da figura 05 as classes quanto à declividade inserida na área de investigação foram: plano, suave ondulado, ondulado, forte ondulado, montanhoso e escarpado tendo a variação de altitude de 591 m a 1220m.
Figura 05 - Mapa de Declividade
Biodiversidade
Conforme pode ser observado no mapa da figura 06 a área de investigação está inserida no bioma cerrado que é considerado como a savana tropical mais rica do mundo, pois nele há cerca de 5% de toda a diversidade do planeta e abriga 30% dos diversos seres vivos identificados no nosso país. Nessa pesquisa detectou próximo e à nordeste da área de investigação uma importante área de proteção integral, a “Estação Ecológica de Pirapitinga”, que tem como objetivo a preservação da natureza e a realização de pesquisas científicas. A área de proteção ambiental torna-se de grande valia para empreendimentos futuros e para a população, pois poderá ter uma maior amplitude quanto à percepção ambiental.
Figura 06 - Mapa de Biodiversidade
Uso e Cobertura do Solo
Através de dados disponibilizados pela plataforma Mapbiomas referente ao período de 2018 foi possível verificar a área de investigação sobre o aspecto de uso e cobertura de solo. De acordo o mapa da figura 07 as classes quanto ao tipo do uso e cobertura do solo determinadas na área foram: formação florestal, formação savânica, floresta plantada, formação campestre, pastagem, cultura anual perene, infraestrutura, outra área não vegetada, mineração e rio/lago. Constatou-se que o domínio maior é de pastagem que representa aproximadamente 52% da área de investigação.
Figura 07 - Mapa de Uso e Cobertura do Solo
Mais informações
Para maiores informações e detalhes sobre aspectos fisiográficos, o caderno temático desenvolvido pela equipe de pesquisa Gasbras-MG intitulado como “Caracterização Fisiográfica das Bacias Hidrográficas dos rios Indaiá e Borrachudo como Etapa Pré-operacional para a Indústria de Hidrocarbonetos Não Convencionais” pode ser acessado e consultado neste site.









