Meio Ambiente
Rotas de migração
Os contaminantes advindos do fluido de fraturamento podem ser transportados por rotas de migrações artificiais criadas nas etapas de perfuração ou pelo próprio fracking. Mas também podem ocorrer rotas naturais propiciadas pelas características geológicas, estruturais e hidrogeológicas do local. A figura 1 ilustra algumas das possíveis rotas de impacto.
Figura 1: Rotas possíveis de migração de contaminantes
Fonte: Adaptada de Meiners et al. (2012)
A rota 0 refere-se a descargas na superfície do solo devido a falhas no manuseio dos fluidos do fracking (transporte e armazenamento) e da água de retorno (deficiência do descarte). A rota 1 está ligada a descargas ao longo de rotas subterrâneas artificiais devido a poços de produção (falhas na construção-cimentação, nos revestimentos e durante o próprio fraturamento), bem como a poços antigos (revestimentos rompidos). A rota 2 representa estruturas geológicas (e.g. falhas geológicas) poços abandonados ou receptores de rejeitos fluidos, e a rota 3 indica propagação lateral e ascendente de fluidos, sem vias preferenciais, pela simples permeabilidade natural dos estratos geológicos (Meiners et al., 2012).
Essas rotas naturais e os receptores potenciais da contaminação devem ser bem caracterizados pelos estudos ambientais que antecedem a operação, e constarem do modelo geológico-hidrogeológico. Estes estudos ou levantamentos ambientais prévios são denominados de baselines. Estudos semelhantes são de longa data exigidos para o licenciamento de, por exemplo, exploração de recursos e instalações nucleares. Além de serem uteis para a avaliação da qualidade, quantidade e estado do recurso mineral, para a tomada de decisões relacionadas com os projetos dos processos produtivos, os levantamentos de baseline oferecerão uma descrição fidedigna do estado pristino do meio ambiente na região que servirá como referência para a avaliação dos futuros impactos. Exemplos relevantes de estudos do tipo baseline voltados para a EPGNC`s são encontrados na América do Norte (Moritz et al, 2015; Humez et al., 2016), Europa (Moe et al, 2016; Bell et al., 2017; Montcoudiol et al, 2019) e Ásia (Li et al., 2020).




