No Brasil
Em Outras Bacias do Brasil
Potencialidades e Características
O Brasil, sendo uma nação de dimensões continentais, possuí 7,5 milhões de Km² de seu território localizados dentro bacias sedimentares. Como consequência, o país apresenta uma série de localidades com grande potencial de exploração de óleo e gás, tanto na modalidade convencional como na não convencional.
Historicamente, o gás natural não teve destaque como matriz energética nacional até o ano de 1990, em muito, por que o país se acomodou na produção energética advinda das hidrelétricas (Lenhard et al., 2015). Este contexto foi se transformando a medida em que ocorreu um maior aprofundamento nas pesquisas sobre as potenciais reservas de óleo e gás presentes no Brasil. Hoje a indústria protagoniza o maior consumo de gás natural no país e, por consequência, tornou-se a principal responsável pela guinada deste mercado. Entretanto o setor industrial tem atravessado períodos de incertezas quanto à disponibilidade, preços e acesso ao gás natural (FGV, 2018) e é neste contexto, que se ascende o debate sobre as reservas e as perspectivas do gás natural brasileiro.
O alto potencial para a produção de gás na modalidade convencional em ambiente marinho, em muito motivados pelo pré-sal, fez com que o Brasil não desenvolvesse grandes atenções para suas reservas de gás não convencional. Afinal, não haveria motivo para o país investir em uma tecnologia mais cara e desafiadora (shale gas), enquanto já possuía uma produção consolidada do gás convencional em seu território.
No entanto, o cenário econômico contemporâneo vem alterando a forma que o Brasil olha para as suas reservas não convencionais. O avanço tecnológico na indústria do shale gas e a crescente demanda mundial pelo gás natural estão, pouco a pouco, transformando as reservas não convencionais brasileiras em alvos de grandes debates e estudos.
As reservas brasileiras de gás não convencional são estimadas na casa de 918 bilhões de m³ onde aproximadamente 460 bilhões de m³ são reservas provadas. Estes reservatórios são bem distribuídos ao longo do país, sendo as Bacias do Paraná, Solimões e Amazonas as que mais se destacam pelas suas grandes reservas provadas de gás não convencional (Camargo et al., 2014).
Não obstante, as potenciais reservas da bacia do Acre, Parecis, São Francisco, Paraná, Parnaíba, Recôncavo e Sergipe-Alagoas também são relevantes para o debate da exploração do gás não convencional no Brasil. A figura 1 sinaliza as principais reservas de hidrocarbonetos não convencionais no país.
Figura 1: Disposição das principais reservas de hidrocarbonetos não convencionais brasileiras.
Fonte: CTMA/ PROMINP, 2016 apud EPE, 2015




